sábado, 11 de maio de 2013

Corpo: o invólucro da alma / Os últimos momentos.




Por Rabino Shamai Ende – do livro “Os Últimos Momentos”
 
O corpo judaico tem em si uma santidade especial por ter sido este um invólucro para alma, por este motivo ele deve ser tratado com respeito. Muitos judeus, que mesmo que por qualquer motivo não foram praticantes durante a vida, não abrem mão de serem enterrados em um kever Yisrael (cemitério judaico), fazendo de tudo para poder cumprir pelo menos esta Mitsvá. 

Muitos judeus em nossa história colocaram em risco a própria vida para garantir o enterro de parentes ou conhecidos em cemitérios judaicos. O motivo para tanto é por que após a morte a alma se encontra no mundo da verdade, e todo judeu sabe que a verdade se encontra no cumprimento da vontade Divina. 

Qual é o motivo para darmos tanta importância ao corpo judaico se afinal de contas o principal é a alma e sem esta o corpo não deveria ter nenhum valor? 

Maimônides escreve em seus Princípios da Fé Judaica, que um dos fundamentos do judaísmo é acreditar que D’us irá ressuscitar os mortos na era pós-messiânica, devolvendo a vida a todos que cumpriram a sua missão enquanto estavam neste mundo, para que possam aproveitar dos prazeres Divinos da era messiânica e do mundo vindouro, que conforme a ideia de Nachmanides será neste mundo material.

Na verdade, logo após o falecimento, a alma do justo adentra o Gan Eden (paraíso), desfrutando lá de um imenso prazer Divino, ficando lá para a eternidade. Sendo assim, por que motivo a alma deixará este ambiente para voltar a habitar o mundo material na era da ressurreição? 
A chassidut explica, que apesar da alma judia se encontrar num nível elevadíssimo, sendo considerada uma partícula Divina, o corpo judeu tem uma fonte Divina muito mais elevada, sendo que somente através dele podemos cumprir a vontade Divina, que é cumprir Suas Mitsvot justamente neste mundo material. 

Na época da ressurreição, será revelado o nível espiritual do corpo, sendo que a alma deixará o Gan Eden e todos seus prazeres para desfrutar de um prazer muito mais intenso que é a verdadeira recompensa das mitsvot, que se dará justamente neste mundo material, com a alma dentro de um corpo. Daqui entendemos realmente a importância do corpo judaico.




O judaísmo considera uma pessoa morta somente quando seu coração e cérebro cessaram completamente de funcionar. Antes disso, ela é considerada viva, mesmo estando agonizante ou em estado de coma. Nada pode ser feito para apressar o seu fim, pelo contrario; deve-se fazer todas as tentativas médicas possíveis para mantê-la viva e salvá-la. 

É considerado um ato de extrema bondade permanecer junto a uma pessoa nessas condições  não permitindo que ela deixe este mundo estando sozinha. Não se deve permanecer parado atrás de sua cabeça e nem ao lado de seus pés. É proibido tocar em um moribundo.

Amigos e familiares que não conseguem controlar o choro devem ser retirados do recinto e aguardar do lado de fora.

Costuma-se rezar junto ao leito para trazer consolo espiritual àquele que está prestes a partir, no caso de ainda ser capaz de ouvir as palavras sagradas, ou como um “acompanhamento” para a alma que se separa do corpo, no caso em que já tiver perdido a consciência.

(Fonte: Chevra Kadisha- SP)


Abaixo, orientações do Livro “Os Últimos Momentos”
Por Rabino Shamai Ende 

1. Uma pessoa que está agonizando, que se encontra nos últimos momentos de vida, ainda é considerado vivo sendo totalmente proibido, e é considerado homicídio, fazer qualquer coisa que aproxima o momento de sua morte. Neste momento não se deve nem mesmo tocá-lo, (a não ser para tentar salvar sua vida ou curá-lo) nem mesmo retirar o travesseiro debaixo do mesmo, ou fazer qualquer preparação para sua morte. 

2. Antes da morte, é uma grande mitsvá se arrepender de todas falhas cometidas em vida, e se recita uma confissão especial [Veja em Vidui] de todos seus pecados pedindo a D’us que os perdoe. Todo aquele que faz esta confissão tem garantido seu quinhão no mundo vindouro. Se a pessoa não tem condições de falar muito, ou não sabe como falar, deve pelo menos dizer: “Seja minha morte a Capará (perdão) de todos meus pecados”. Deve-se pedir perdão também para todas as pessoas que lhe fez qualquer mal. Costuma-se falar também o primeiro versículo do Shemá Yisrael, e outros versículos, como na saída de Yom Kipur.

3. Quando já se nota que está prestes a morrer, não se deve deixá-lo a sós, já que a alma sofre quando falece sozinha. Se possível, deve-se ter dez pessoas na hora do falecimento. Não se deve ficar próximo do pé da cama nesta hora. É muito importante a presença dos filhos neste momento, porém todos devem tomar o máximo de cuidado de não chorar ou gritar nesta hora. Quem não consegue segurar o choro, não deve estar presente neste momento. Os presentes não devem se ocupar em assuntos vãos, mas devem neste momento se ocupar em estudar Torá, recitar o Tehilim e demais preces.

4. Se possível, costuma-se acender velas no local, um pouco distante do doente, para que quando falecer já tenham velas acesas. Se for possível, deve-se deixar as janelas abertas. Deve-se tomar um cuidado especial para que nenhum órgão esteja fora da cama na hora do falecimento. Para isto, pode se colocar cadeiras ou outros objetos em volta da cama para impedi-lo de colocar o pé ou a mão fora da mesma. 

5. Não se faz nenhuma preparação para o enterro, antes do falecimento. Não se preparam as mortalhas, não se chama a Chevra Kadisha, não se rasga as roupas, não se prepara o caixão, e muito menos, não se escava a cova, antes do total falecimento.

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